A prioridade é assumir o controle dos custos de energia elétrica nas empresas

É desanimador depois de fazer investimentos e trabalhar duro para melhorar a eficiência energética na empresa ser surpreendido com a notícia de um aumento de 9% nas contas de energia para cobrir uma indenização bilionária do governo com às concessionárias de transmissão de energia elétrica. O assunto ainda precisa passar por audiência públicas, porém é certo que teremos até 2024 aumentos na tarifa de energia elétrica, variando de região para região, para cobrir cerca de R$65 bilhões devidos às transmissoras de energia por investimentos anteriores a 2000. Maior desalento é saber que cerca de R$35 bilhões se referem à atualização do valor por atraso no pagamento. A lição que aprendemos é temos que investir em uma estratégia para blindar os custos de energia, mesmo que no primeiro momento fique mais caro, para assumir o controle de custos. A incerteza é o pior cenário.

Em muitas empresas os gastos com energia só são superados pela folha de pagamento de pessoal, tornando esse insumo vital para competitividade e produtividade das empresas. Sem controle muitos planos podem naufragar. O impacto da indenização às transmissoras no preço da energia dependerá de sua localização. Aquelas empresas que estão próximas dos centros geradores de energia com consumo menor o impacto será menor. Por outro lado, aquelas empresas que estão distantes e com grande consumo o aumento de custo será maior.

Existem vários fatores que serão considerados para minimizar o impacto no aumento de tarifas, como a redução do valor da Conta de Desenvolvimento Energético (CDE), um fundo para financiar ações no setor.

Importante concessionárias de distribuição de energia terão reajustes de tarifas no primeiro semestre de 2017, como a Ampla (RJ), Cemig (MG), Energisa Mato Grosso (MT), Energisa Mato Grosso do Sul (MS), Coelba (BA) e a CELPE (PE). Para os consumidores dessas concessionárias o reajuste pode ser menor devido à desvalorização do dólar, da redução do custo de energia e compensação de previsões de aumentos que não se concretizaram. Entretanto, provavelmente, os consumidores pagarão mais caro pela energia nas concessionárias que terão reajustes no semestre.

A primeira ação a ser analisada é migrar para o Mercado Livre de energia. Um contrato de compra de energia tem regras bem definidas. Ainda existiram variáveis fora do controle, porém o nível de certeza será maior. Lembrando que as empresas elegíveis para migrar para o Mercado Livre devem ter demandas igual ou maiores a 500kVA.

A segunda analise é implantar uma fonte de geração distribuída (GD). Uma alternativa é a geração com painéis fotovoltaicos. A vantagem é a redução da energia contratada da concessionária e compensação da energia excedente entregue com a utilizada. A desvantagem é que precisamos de sol e ainda os custos dos projetos são elevados, com um payback de 8 anos, em média. Neste caso, para compensar o uso de energia noturno teríamos que ter um excedente durante o dia e nos finais de semana e feriados.

Outra análise é o uso de gás natural para a geração contínua de energia. Para contratos de longo prazo, algumas empresas oferecem os equipamentos e cobram pelo uso da energia. Entretanto, as incertezas são grandes neste mercado, começando com o processo de desinvestimento da Petrobrás de seus ativos na cadeia de gás, embora existam interessados na compra desses ativos.  O mercado de gás ainda precisa ser desenvolvido no Brasil. Em julho de 2016, o Brasil bateu o recorde com a produção de 107,2 MMm3/dia, dos quais 40,8 MMm3/dia do pré-sal. As bacias de Santos e Campos produziram 72 MMm3/dia, dos quais apenas 33,2 MMm3/dia foram disponibilizados para o mercado e cerca de 24 MMm3/dia foram reinjetados. Se conseguíssemos aproveitar melhor os volumes reinjetados poderíamos reduzir a dependência das importações de gás da Bolívia e de GNL. Enfim, entrar nesse mercado requer planejamento e assumir determinados riscos.

Outra opção é instalar sua indústria próximo de uma fonte geradora de energia confiável, como uma PCH (Pequena Central Hidrelétrica), uma usina eólica ou de uma usina a carvão (critiquem o Donald Trump antes de me criticarem pela sugestão).

Vamos deixar de analisar a oportunidade de migrar para o Paraguai devido a escassez da mão de obra especializada, embora o uso da energia de Itaipu com custo menor que no Brasil seja atraente.

Resumindo, os desafios são grandes, porém é mandatório assumirmos o controle dos custos de energia.

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