Existe atratividade para a compra das distribuidoras da Eletrobrás?

A partir de uma nova orientação do governo, as estatais estão olhando mais para a sua rentabilidade e de seus acionistas do que atender a políticas de Estado. Nesta linha a Eletrobrás está colocando à venda suas distribuidoras de energia elétrica de Alagoas, Amazonas, Boa Vista (Roraima), Piauí e Rondônia. Está em curso a desestatização da Celg-D em Goiás após leilão vencido pela italiana ENEL em novembro de 2016, em lance único. A Eletrobrás decidiu não renovar os contratos de concessão de distribuição de energia e deverá manter a operação das distribuidoras até o final de 2017. Em 2015, as seis distribuidoras da Eletrobrás tiveram um prejuízo líquido de R$4 bilhões e a continuidade das operações depende de repasses do governo ou via tarifas. Neste cenário, será que existe atratividade para a compra das distribuidoras da Eletrobrás?

Há que diga que o melhor negócio no setor elétrico é comprar distribuidoras em dificuldades. Particularmente, não acredito que essa máxima vale nos dias atuais. Na minha opinião, o negócio só será atrativo se mudar o modelo de negócio.

Um possível modelo de negócio é a implantação de uma rede inteligente (Smart Grid) e estabelecer parcerias com empresários, cidadãos e prefeituras para a implantação de fontes de geração de energia distribuída.

Fazer pesados investimentos para a renovação das redes atuais será um grande desafio. Se adotar o modelo atual os investimentos serão altíssimos e com grandes retornos de investimentos (ROI), que, provavelmente, não serão atrativos para os acionistas. Entretanto, se os investimentos forem minimizados com novas topologias de redes considerando a geração distribuída, provavelmente, os retornos serão mais atraentes. A geração distribuída, baseada na atual norma regulatória nº 687, permite reunir vários consumidores em consórcios ou cooperativas para geração de energia. Essa ação reduz a inadimplência e as perdas comerciais (o gato). As prefeituras podem participar com a instalação de usinas termelétricas com biogás dos aterros sanitários, resolvendo várias questões ambientais.

A introdução de redes inteligentes reduzirá os custos operacionais, principalmente de pessoal, e aumentará a qualidade dos serviços. As redes inteligentes permitem novos planos de fornecimento de energia, similares aos planos de telefonia móvel, incluindo planos pré-pagos.

Obviamente, que esse modelo pode ser implantado por outras concessionárias de distribuição de energia. Entretanto, utiliza-lo na recuperação das atuais distribuidoras da Eletrobrás será mais fácil aproveitando os investimentos da nova direção.

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