Microgrids melhor proteção contra ataques cibernéticos e desastres nas redes de energia

O filme Duro de Matar 4.0 mostra os efeitos de um ataque de hackers profissionais na cidade de Washington. Apesar do filme ter a dramatização hollywoodiana, é uma realidade que está cada vez mais próxima com o avanço e redução dos preços de acesso às tecnologias, incluindo softwares de negligência artificial. Infelizmente, as tecnologias das empresas não evoluem na mesma velocidade, tornando-os cada vez mais vulneráveis a ataques cibernéticos. Muitas vezes não basta instalar softwares de proteção, pois a arquitetura antiquada da infraestrutura é por si só vulnerável. Esse cenário se aplica aos sistemas de energia elétrica, incluindo os dispositivos de proteção do sistema elétrico, como chaves seccionadoras, disjuntores, transformadores, reguladores de tensão, etc. Somando-se a isso, as mudanças das tecnologias no setor elétrico ainda não foram totalmente absorvida pelos técnicos, gerando riscos de operação e maiores brechas de segurança. Além disso, as mudanças climáticas estão gerando eventos imprevisíveis, que resultam consequências nas operações das infraestruturas públicas e empresariais. Diante deste cenário, uma alternativa para proteger é investir em ilhas de geração com distribuição local de energia, os microgrids.

Microgrid é uma infraestrutura de geração e distribuição de energia elétrica com limites bem definidos e controlados que pode operar, autonomamente, da rede pública de distribuição de energia (Macrogrid). Este tipo de rede garante o fornecimento de energia elétrica em caso de interrupção de energia da rede pública, reduzindo os riscos de operação das empresas e serviços públicos.

O Sistema Integrado Nacional (SIN) integra várias empresas de geração, transmissão e distribuição, oferecendo redundância e capacidade de manobras de circuitos em caso de falha de componentes da redes. Pelas dimensões do país, o sistema é grande e complexo para se operar, exigindo forte coordenação do Operador Nacional do Sistema (ONS). Os sistemas de monitoração e controle não são integrados e muitas manobras exigem intervenção manual (mesmo que acionadas remotamente).

Como sabemos, muitas distribuidoras estão em situação financeira difícil, principalmente as do grupo Eletrobras, provocando baixa atualização tecnológica e crescentes problemas de manutenção. A evidência disso é que a maioria das distribuidoras de energia no país não conseguem atingir os níveis mínimos de qualidade da ANEEL e são obrigadas a ressarcimentos e multas milionárias.

A alternativa é os empresários e prefeituras se mobilizarem para criar microgrids em suas regiões para mitigar os impactos de interrupção de energia e aumentar a qualidade do fornecimento de energia. A questão não é simples, pois envolve uma revisão do modelo do sistema elétrico brasileiro, onde muitas distribuidoras ainda possuem concessões por décadas, porém esse assunto precisa ser discutido para mitigar riscos e garantir o desenvolvimento econômico do país.

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